Espanha – Espanhóis e o Amor

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As estatísticas comprovam: os espanhóis se casam cada vez mais com estrangeiras. O que mais surpreende, contudo, é que as brasileiras lideram o número de casamentos com espanhóis.

O Instituto Nacional de Estatística da Espanha revelou, em 2009, que as brasileiras representam apenas 2,68% das estrangeiras que vivem no país, mas são responsáveis por 14% das uniões internacionais com espanhóis. Um detalhe é que a comunidade verde e amarela não é tão numerosa: somos quase cem mil; bem menos se comparados aos 293.602 equatorianos e 246.451 colombianos.

Este aumento de matrimônios mistos é consequência da globalização que trouxe mais imigrantes à Espanha, dos espanhóis que vão estudar no estrangeiro e também dos sites de relacionamentos. Outro fator seria a mudança de papel da própria mulher espanhola nos últimos quarenta anos. Depois que a ditadura terminou a mulher, finalmente, pode batalhar seu espaço no mercado de trabalho e o rol de esposa e mãe deixou de ser a  única opção. Isso acaba fazendo que ela não priorize tanto o casamento ou os filhos e sim sua carreira.

Afinal, o que tem a brasileira em relação à espanhola? Esta pergunta é muito machista e resolvi invertê-la: o que as brasileiras viram nos espanhóis?  Ao contrário das nossas colegas que vivem na Dinamarca e no Chile, não posso falar por mim mesma – sou casada com um brasileiro – tive que sair em campo e perguntar para minhas compatriotas como é ser esposa/companheira de um espanhol.

Todas apontaram a fidelidade como a maior qualidade dos seus parceiros. “Os espanhóis são mais família, respeitam mais as mulheres que namoram ou casam” conta uma curitibana que juntou as escovas de dente há quase dois anos com um espanhol. “E tem menos medo de compromisso” completa a paulista de São Bernardo do Campo que oficializou a união depois de um ano e meio de namoro. Vivendo há quatro anos com seu espanhol, uma goiana resume: “o homem brasileiro é muito galinha; não pode ver uma mulher e o espanhol é mais sério”.

O respeito e a sinceridade igualmente foram lembrados. Engana-se quem pensa que os espanhóis são latin lovers profissionais. “O espanhol é até tímido. Fica te rodeando e tenta dar uma olhadinha, mas se a mulher não sorrir pra ele umas 10 vezes não tem coragem de chegar” declara uma paulistana. Verdade seja dita, aqui não se escuta cantada na rua. Os homens nos olham discretamente, mas são incapazes de dizer o que pensam das partes do corpo da mulher. Acreditem: é muito melhor viver assim do que assediada constantemente.

Outra questão em relação aos brasileiros é quanto às tarefas domésticas. “São prestativos,  mais colaboradores em casa” relata uma paranaense de Medianeira depois de quatro anos de união. “Os espanhóis não têm vergonha de dizer que realizam trabalhos domésticos” concorda uma paulista do alto de seus quinze anos de convivência com um nativo. Não existe “ajudar”: cada um tem suas tarefas em casa e deve realizá-las. Afinal, as faxineiras aqui cobram por hora e empregada doméstica é artigo de luxo.

Nem tudo são flores, porém. Se a vida a dois é complicada, imagina para quem tem cultura e idioma distintos. Contudo, nada que não possa ser solucionado com uma boa conversa. Neste último quesito, pela proximidade entre o português e o castelhano fica mais fácil de resolver, mas gera três situações: casais que falam somente o castelhano entre si; casais onde as mulheres falam português, mas o marido responde em castelhano; e um terceiro grupo que desenvolve o portunhol como idioma próprio com todas as dificuldades que originam os falsos amigos. Que o diga uma paulistana de São Carlos quando o “namorido” lhe disse que a esperaria ao “medio dia”. Ora, para os brasileiros significa às 12 horas, mas na Espanha, isso é às 14h, a metade do dia. Resultado: ela ficou plantada por duas horas. “Aprendemos a perguntar ao detalhe o que o outro quer dizer. Às vezes é meio cansativo, mas é melhor que ficar duas horas esperando” conta.

Acrescente a isso ao trato franco que os espanhóis dispensam a qualquer pessoa. “O espanhol tem um jeito mais estúpido, seco e frio de se tratar entre os seus, coisa que não me acostumo” observa uma catarinense de Brusque, depois de um ano vivendo em Madri com seu parceiro. “Parece que estão sempre brigando” foi uma frase recorrente entre as entrevistadas. Essa franqueza espanhola choca a todos os latino-americanos, pois sempre estamos preocupados com a opinião dos outros a nosso respeito.

A questão familiar também é considerada. Apesar de ser apegados à família, esta só contempla esposa e os filhos, deixando os demais membros para grandes ocasiões. Além disso, o espanhol adora estar na rua e faz dessa sua segunda casa como é possível constatar pelo número de gente que circula a qualquer hora do dia ou da noite.

Mesmo assim vale a pena ter um espanhol para chamar de seu? Uma potiguar que se mudou por amor para Espanha em 2008 analisa: “não posso generalizar: eles são menos carinhosos, mas quando amam é pra valer!” E não é isso que buscamos em uma relação?

– Agradeço de coração às participantes do Grupo de Mulheres Brasileiras em Madri, no Facebook, que aceitaram dar seu depoimento. ¡Muchas gracias, chicas!

– Tem mais posts sobre casamento na Alemanha, Bélgica e China.

Fonte: http://www.brasileiraspelomundo.com/espanha-espanhois-e-o-amor-51116306

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